domingo, 4 de abril de 2010

Trocando em Miúdos (II)

Desgostando

Tudo começa à primeira vista. Mesmo que de olhos vendados. Me atiro pela janela, justamente por desejar que mais e mais janelas se abram até que suplantem as míticas portas. Houve uma vez um castelo, um vestido e um quase amor. Morri pela porta. Ela me atravessou, rompendo cada músculo, cessando cada pulso, roubando todo o ar. Desde então, passei a por flores em minhas janelas.
A cada vitória
Um rastro de derrotas pelo caminho
Que burro seria eu
Se julgasse o mundo
Por ninho
O mundo hoje
Quer mais, pulsa mais
Expulsa mais
É findada a filiação
Mas nada justifica esse vazio
Nem a velocidade contemporânea da desinformação
Nem essas idéias que insistem em se perder em minha cabeça
São muitas, confusas
Embaralhadas
Não consigo pensar com esse engarrafamento todo
Como evitar o amor?
Peito nu, seio aberto
Repelindo a atração dos corpos
Freiando com tração nas quatro

segunda-feira, 8 de março de 2010

Me Deixe Mudo

Todos Estão... Mudos??

De porta em porta
Tem faltado mão pra bater
Que mundo é esse que gira ao meu redor?
Tantos carros
É tanta chuva
O barulho me cega
Onde estão os seus ouvidos que não me ouvem?
Sonhos repetidos, imagens
Quando os pensamentos dormem?
Esse passo a passo
Não diz nada
Não sei jogar
Alguém viu o manual??
Tá tudo embaralhado
Rock and Soul
E eu tão blue
Onde estão meus sais??
Já não me importa
Quero mais açucar!


Um grande beijo!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pausa para a História

Prólogo do Prólogo

Batia à porta como se fosse a última coisa a se fazer no mundo. Batidas compassadas, de métrica perfeita. A mão tocava a madeira com sofreguidão. O sol não parecia demonstrar pena, firmando seu foco sobre aqueles cabelos curtos e ruivos, deflagrando alguns fios loiros perdidos naquele fogo todo. A pele alva com pequenas sardas, já em tons de vermelho, pedia: "por favor, já chega! Ela não vem...". Mas Luca parecia decidido e ritmado em suas batidas.
Lá de dentro, nenhum ruído. Mas ela estava lá. Sim, estava e parecia não se importar. Os fones quase perfuravam seus tímpanos, o volume no talo. Ela quase podia sentir a língua de Mick Jagger, bailando em seus ouvidos ao som de Jumping Jack Flash. Não, ela não se importava. Acabara de fumar seu penúltimo baseado e dançava como se fosse a última coisa a se fazer no mundo. Seu quarto ficava no sótão, de lá ela via Luca sofrendo, sentado, encostado de lado na porta, batendo... A imagem fazia Clara rir baixinho.
Clara sempre foi calma e quente.

Continua...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dura Na Queda (III)

Declarante

Segui aqueles passos
Preenchendo cada marca
Cuidei de tudo
Deixei a casa limpa
A roupa em ordem
Mesmo que fora de tom
Tudo bem
Já que ensaiei o ano inteiro
Mas não era pra janeiro
E pra quem nunca falta
Ela até surpreende bem
O vazio da falta do ataúde
Mesmo que não se faça de costume
Ecoa por ali
Coragem
Pra seguir
Força
Pra não desistir
Tudo luz pelo caminho
Tudo luz pra quem seguir


Um grande beijo!